quinta-feira, 5 de novembro de 2020

ANÁLISE: O ELENCO DECEPCIONA

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Elenco do Corinthians acumula nova frustração e fica só com Brasileirão de "sobra" 
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 Por Ana Canhedo — ge 

 O Corinthians conheceu na noite de ontem mais uma eliminação frustrante em 2020. 

Depois do fiasco na fase preliminar da Libertadores no começo do ano, o empate com o América-MG, após derrota em casa na ida, tirou a equipe da Copa do Brasil nas oitavas de final. 

 Mais uma frustração de um time que no papel não é ruim, mas na prática coleciona decepções e rendimento individual e coletivo bastante aquém do esperado.

 Detalhes do futebol difíceis de serem previstos, mas capazes de enormes problemas. 

 O principal exemplo talvez seja Luan, grande contratação da temporada, com bagagem para ser titular absoluto, e acionado na partida decisiva apenas nos minutos finais. Vive fase de extrema baixa técnica. Hoje, é reserva do Corinthians e só entrou no jogo depois de Everaldo, Gabriel, Cantillo e Léo Natel. 

 Com a lesão de Cazares, a opção imediata de Vagner Mancini foi Everaldo, mesmo perdendo um articulador, em detrimento de Luan. 

 Há uma frustração natural com o trabalho de Tiago Nunes depois de nove meses, os números jogam contra o mês de Dyego Coelho como interino, e é possível questionar as opções de Mancini na partida da última noite, mas é também inegável a decepção com o elenco. 
Era possível entregar mais. 

 COMEÇO RUIM 
O Corinthians começou a partida em uma espécie de 4-2-3-1, com Mateus Vital caindo pela esquerda e Matheus Davó mais uma vez posicionado como centroavante. 

Cazares ficou com a função de criação pelo meio, jogando à frente de Éderson e Xavier e ao lado de Ramiro. 

 O problema é que as estratégias traçadas para a etapa inicial não deram certo e foram pouco a pouco sendo minadas com o passar dos minutos, mesmo com o Timão tendo 55% de posse de bola: Sobraram erros de passes e domínio (61 passes incompletos contra 188 certos); Foram apenas três finalizações do Corinthians; O América-MG passou a aproveitar os espaços deixados para chegar com facilidade à área de Cássio (foram dez finalizações em 45 minutos); Bolas longas do Corinthians também não funcionaram (36 tentativas e apenas 14 certas); Cazares, homem mais criativo do elenco, se lesionou aos 32 minutos; Entrada de Everaldo pela esquerda com Mateus Vital posicionado pelo meio não funcionou; Davó pouco participou do jogo (apenas cinco passes trocados). 

O primeiro tempo não funcionou, o placar não foi aberto e sobraram apenas 45 minutos para a equipe tentar inverter o resultado diante de um América organizado. 

Erros bobos, como os de passes e até domínios simples, ou as ações pouco verticais jogaram o tempo fora.

 "A estratégia montada foi de manter a mesma equipe que fez um grande jogo, talvez o melhor, contra o Internacional, não via razão para mexer, foi mantida na íntegra. Quando vi que no primeiro tempo não tinha evolução entre os setores, a parte de trás ficou muito tempo com a bola no pé, os volantes não conseguiam distribuir e nossa equipe ficou lenta. Diante de um time bem ajustado, que joga em velocidade, você sofre muito. Começou-se uma descompactação que não nos permitiu boas oportunidades" – disse Mancini. 

 FAGNER E SEUS DOIS GOLS 
Mancini promoveu alterações para a etapa final: sacou os volantes Xavier e Éderson para as entradas de Gabriel e Cantillo. 
Uma mudança de postura logo no começo gerou mais proximidade com o gol. 

Matheus Davó participou de boa dobradinha de Fagner e Ramiro e poderia ter feito de cabeça. 

 Em um Corinthians mais intenso, minutos depois, Davó sofreu pênalti. Convertido por Fagner. 

Em sequência inspirada, o lateral evitou o gol de Ademir, depois de recuo errado de Everaldo e saída ruim de Cássio do gol. 

Foi o "segundo gol" do lateral, no que parecia ser um jogo destinado a terminar em penalidades. 

 A posse de bola pulou de 55 para 57% e as finalizações passaram de três para dez. 
O número de passes incompletos também diminuiu e o de certos aumentou: 58 x 198. 

Em suma, o Corinthians melhorou na etapa final e parecia que levaria a decisão às penalidades. 

 EFEITO CASCATA 
Eis que a má fase individual/coletiva que se arrasta temporada adentro e insiste em rondar a equipe fez uma nova vítima: Lucas Piton.
 Em noite ruim, o lateral-esquerdo teve dificuldades na marcação e não conseguiu colaborar no ataque como de costume. 

Terminou com o azar de um pênalti cometido de costas, ao tocar com o braço na bola. 

 Na mesma linha dos destaques em baixa, Cantillo, acionado na etapa final, poderia ter feito mais. 
O colombiano entrou bem, acertando 29 passes em apenas um tempo. Não fez mais porque também vive momento ainda instável e hoje é opção no banco de reservas. 

 Um Corinthians com Luan e Cantillo no auge, entregando o máximo, certamente teria mais facilidade e menos espaços no meio campo. 

O próprio camisa 7 acabou sofrendo com a afobação da equipe nos minutos finais. Na imagem acima, é possível vê-lo sem opções diante de forte marcação. 

 Como o Brasileirão como "sobra" até o final da temporada, o objetivo do Corinthians é não só achar um padrão tático, mas também manter um padrão de atuação e encontrar o equilíbrio de desempenho. 

 "O estágio real é exatamente o de oscilação, que me preocupa, mas que eu sei que, com o passar do tempo, vamos diminuindo jogo a jogo. O Corinthians demonstrou evolução em muitas coisas, mas em outras não. E vamos ter que trabalhar. Agora, curiosamente, a gente vai ter tempo de trabalho. Isso vai jogar a favor de uma equipe que quer se recuperar na temporada, que tinha algumas ambições e elas foram, aos poucos, escapando" – completou o treinador. 


Imagem do Topo:
Luan, sem opções para tocar a bola - ge 

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