
<>
Defesa do Corinthians consegue feito inédito no Brasileiro, mas ataque ainda sofre
<>
Por Bruno Cassucci
Pela primeira vez no Brasileirão, o Corinthians conseguiu ficar três jogos seguidos sem sofrer gols.
O feito inédito, porém, não foi suficiente para vencer o Fortaleza, no Castelão, e o Timão chegou ao seu sétimo empate por 0 a 0 na temporada.
Se por um lado é incontestável a evolução defensiva do Corinthians desde a chegada de Vagner Mancini, por outro ainda é gritante a dificuldade da equipe em propor o jogo e encontrar espaços contra adversários bem fechados.
Em apenas uma das 11 partidas com o treinador, o Timão conseguiu fazer mais de um gol.
Desta vez, embora tenha passado ileso, o Corinthians sofreu sustos e foi salvo por Cássio e pela falta de qualidade do rival para finalizar.
Mesmo em casa, o Fortaleza adotou uma postura reativa e esperou o adversário em seu campo.
A estratégia era clara: atrair o Corinthians e explorar a velocidade de seus atacantes.
Em certa medida, é possível dizer ela que funcionou.
O Timão tinha mais a bola, mas pouco fazia com ela.
Pior, ainda dava brechas para contra-ataques, sobretudo no lado direito, onde Otero demorava a fazer a recomposição e Marllon teve atuação insegura.
O Corinthians começou mal, mas cresceu a partir da segunda metade do primeiro tempo e foi para o intervalo empatado em finalizações: 5 x 5.
No início, Gabriel foi o responsável por afundar entre os zagueiros e ajudar na iniciação das jogadas.
Percebendo que ele não conseguia quebrar linhas, Mancini mudou: recuou Cantillo, mais qualificado nos passes e lançamentos, e liberou o outro volante.
Saída de bola do Corinthians com Gabriel na linha dos zagueiros — Foto: Reprodução
Saída de bola do Corinthians com Cantillo mais recuado — Foto: Reprodução
Mesmo assim, a evolução foi tímida.
O Timão contava com jogadores que atrasavam as jogadas, seja com um toque a mais na bola, um domínio mal executado, um passe sem tanta força...
Gabriel, Cantillo, Otero e Luan não davam fluidez ao jogo.
Diferentemente do que aconteceu contra o Coritiba, na semana passada, a dobradinha entre Fábio Santos e Lucas Piton pela esquerda não deu tão acerto, até porque o veterano tinha mais obrigações defensivas dessa vez.
Para o segundo tempo, Mancini não mexeu nas peças, mas alterou o desenho tático.
Ele segurou mais os laterais e liberou os atacantes de lado para marcarem mais em cima.
Ainda assim, David conseguiu ser lançado nas costas da defesa aos 6 minutos e sair cara a cara com Cássio - o atacante acabou se atrapalhando com a bola.
O Corinthians seguiu com muita posse, mas inspiração escassa.
Jô participava pouco da partida, e nenhum dos homens de meio arriscava dribles ou jogadas individuais.
Também não havia espaço para chutes de média e longa distância.
O treinador demorou a mexer, mas quando o fez, a partir dos 17 minutos, trocou todo o meio de campo.
Mais uma vez não vimos Cazares e Luan juntos, algo que Mancini, mesmo com 10 dias para treinar até o próximo jogo, ainda não vê como possível, como explicou na entrevista.
Apesar de não ter feito por merecer a vitória, o Corinthians tem razão ao reclamar da atuação do árbitro Bráulio da Silva Machado.
Pela sexta vez no Brasileirão, a equipe terminou o jogo sem os 11 jogadores.
O cartão vermelho de Jô foi o 10º na temporada.
Alguns problemas foram corrigidos, mas muitos ainda se repetem - até por serem estruturais, fruto da montagem de elenco desequilibrada.
Sem conseguir embalar, o Timão deve se contentar em escapar do rebaixamento e com algumas pequenas conquistas.
Derrotar o São Paulo, na próxima semana, e atrapalhar o rival na busca pelo título pode ser uma delas.
Para isso, entretanto, vai ser preciso jogar mais.
O clássico será dia 13, às 18h15, na Neo Química Arena.


Nenhum comentário:
Postar um comentário