quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

ANÁLISE: FORTALEZA 0 X 0 CORINTHIANS

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Defesa do Corinthians consegue feito inédito no Brasileiro, mas ataque ainda sofre 
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Por Bruno Cassucci

 Pela primeira vez no Brasileirão, o Corinthians conseguiu ficar três jogos seguidos sem sofrer gols. 

O feito inédito, porém, não foi suficiente para vencer o Fortaleza, no Castelão, e o Timão chegou ao seu sétimo empate por 0 a 0 na temporada. 

 Se por um lado é incontestável a evolução defensiva do Corinthians desde a chegada de Vagner Mancini, por outro ainda é gritante a dificuldade da equipe em propor o jogo e encontrar espaços contra adversários bem fechados. 

Em apenas uma das 11 partidas com o treinador, o Timão conseguiu fazer mais de um gol. 

Desta vez, embora tenha passado ileso, o Corinthians sofreu sustos e foi salvo por Cássio e pela falta de qualidade do rival para finalizar. 

 Mesmo em casa, o Fortaleza adotou uma postura reativa e esperou o adversário em seu campo. 

A estratégia era clara: atrair o Corinthians e explorar a velocidade de seus atacantes. 

Em certa medida, é possível dizer ela que funcionou. 

O Timão tinha mais a bola, mas pouco fazia com ela. 

Pior, ainda dava brechas para contra-ataques, sobretudo no lado direito, onde Otero demorava a fazer a recomposição e Marllon teve atuação insegura. 

 O Corinthians começou mal, mas cresceu a partir da segunda metade do primeiro tempo e foi para o intervalo empatado em finalizações: 5 x 5. 

 No início, Gabriel foi o responsável por afundar entre os zagueiros e ajudar na iniciação das jogadas. 

Percebendo que ele não conseguia quebrar linhas, Mancini mudou: recuou Cantillo, mais qualificado nos passes e lançamentos, e liberou o outro volante.
Saída de bola do Corinthians com Gabriel na linha dos zagueiros — Foto: Reprodução
Saída de bola do Corinthians com Cantillo mais recuado — Foto: Reprodução 

 Mesmo assim, a evolução foi tímida. 

O Timão contava com jogadores que atrasavam as jogadas, seja com um toque a mais na bola, um domínio mal executado, um passe sem tanta força... 

Gabriel, Cantillo, Otero e Luan não davam fluidez ao jogo. 

 Diferentemente do que aconteceu contra o Coritiba, na semana passada, a dobradinha entre Fábio Santos e Lucas Piton pela esquerda não deu tão acerto, até porque o veterano tinha mais obrigações defensivas dessa vez. 

 Para o segundo tempo, Mancini não mexeu nas peças, mas alterou o desenho tático. 

Ele segurou mais os laterais e liberou os atacantes de lado para marcarem mais em cima. 

Ainda assim, David conseguiu ser lançado nas costas da defesa aos 6 minutos e sair cara a cara com Cássio - o atacante acabou se atrapalhando com a bola. 

 O Corinthians seguiu com muita posse, mas inspiração escassa. 

Jô participava pouco da partida, e nenhum dos homens de meio arriscava dribles ou jogadas individuais. 

Também não havia espaço para chutes de média e longa distância. 

 O treinador demorou a mexer, mas quando o fez, a partir dos 17 minutos, trocou todo o meio de campo. 

Mais uma vez não vimos Cazares e Luan juntos, algo que Mancini, mesmo com 10 dias para treinar até o próximo jogo, ainda não vê como possível, como explicou na entrevista. 

 Apesar de não ter feito por merecer a vitória, o Corinthians tem razão ao reclamar da atuação do árbitro Bráulio da Silva Machado. 

Pela sexta vez no Brasileirão, a equipe terminou o jogo sem os 11 jogadores. 

O cartão vermelho de Jô foi o 10º na temporada. 

 Alguns problemas foram corrigidos, mas muitos ainda se repetem - até por serem estruturais, fruto da montagem de elenco desequilibrada. 

Sem conseguir embalar, o Timão deve se contentar em escapar do rebaixamento e com algumas pequenas conquistas. 

Derrotar o São Paulo, na próxima semana, e atrapalhar o rival na busca pelo título pode ser uma delas. 

Para isso, entretanto, vai ser preciso jogar mais. 

O clássico será dia 13, às 18h15, na Neo Química Arena.

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